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Ao desmistificar área complexa da medicina, neurologista de Dourados é indicada ao Prêmio Jabuti

Publicada em: 16/07/2026 11:42 -

Com o desafio de desmistificar uma das mais complexas e desafiadoras áreas da medicina, a professora Elisabete Castelon Konkiewitz escreveu sua mais recente obra ‘Raciocínio Clínico em Neurologia’. O livro que começou a partir de sua vivência diária na universidade, fez com que a médica psiquiatra e doutora em neurologia de Dourados, recebesse a indicação de semifinalista do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico de 2026.

“Esse livro começou como um projeto com alunos da medicina, tentando estruturar um texto que ensinasse tanto as técnicas de realização do exame neurológico, como o raciocínio que é obrigatório para que após a realização do exame neurológico, o médico seja capaz de formular hipóteses diagnósticas, ou seja, de dizer onde ele acha que o paciente tem a sua lesão, que parte do sistema nervoso está com problema, com algum transtorno de funcionamento”, explica Elisabete, lembrando que no campo da neurologia, é possível ter sinais muito parecidos tendo lesões em lugares muito diferentes. 

Diante disso, a professora de semiologia da FCS/UFGD (Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Grande Dourados) pensou na estruturação de um livro didático que pudesse facilitar esse aprendizado desmistificando através de passo a passo.

“É uma área que acaba assustando muitos alunos, muitas pessoas se distanciam porque acham que não vão conseguir entender e a proposta do livro seria justamente ser um instrumento no caminho oposto, um instrumento para facilitar o entendimento da neurologia”, explica a médica.

Essa exigência de unir diferentes níveis de conhecimento, como anatômico, neurológico, bioquímico e técnicas de avaliação diagnóstica dotadas de complexidade, está entre os aspectos que atraíram para a neurologia, a psiquiatra que escolheu esse campo de atuação pelo interesse no comportamento humano.

Com especializações cursadas na Alemanha, incluindo o doutorado em Neurologia pela Technische Universität München, ela acumula mais de 30 anos dedicados à pesquisa, ensino e atendimento clínico, e mais de 50 artigos e livros publicados. Experiência que está no alicerce da abordagem da obra.

Além de ensinar técnicas para questionamento do paciente, anamnese, testes e exames neurológicos, o livro faz uma correlação com a neuroanatomia. São mais de 300 imagens com vias neuroanatômicas, para mostrar como chegar à hipótese de diagnóstico a partir de sinais e sintomas apresentados e depois como fazer o laudo de ressonância e tomografia, como um guia básico de interpretação.

A obra ainda conta com testes de perguntas e respostas para avaliar o conhecimento do leitor e o que a autora considera a ‘cereja do bolo’, que são 27 casos clínicos discutidos minuciosamente a cada passo desde a queixa do paciente até a conduta assumida pelo médico para o tratamento, em linguagem compreensível.

“O objetivo é o de ajudar os alunos, os futuros médicos e os médicos que estão entrando na área de neurologia, residentes, esse é o objetivo do livro. Então, seria muito importante que ele cumprisse esse objetivo”, conta a professora.

O JABUTI ACADÊMICO

A obra está entre as dez semifinalistas na categoria de medicina, dos 2.004 inscritos para o 3º Prêmio Jabuti Acadêmico de 2026. Para a autora, uma surpresa feita pela editora que é um selo renomado na área. “Eu sequer sabia que o livro estava concorrendo ao Prêmio Jabuti”, conta ela. “Eu fico contente e isso me confirma que essa obra que eu fiz tem algum valor, que ela realmente tem um nível ao menos satisfatório”, relata. 

A neurologista lembra que somente o fato de a obra ser semifinalista é uma conquista que contribui para respaldar sua qualidade e, especialmente, colaborar com sua principal missão que é de alcançar mais pessoas.

“O livro é como se fosse um bolo. Você fez aquele bolo, você quer que todo mundo coma, que todo mundo saboreie e aprecie. Não adianta o bolo ser premiado e depois ninguém apreciar. Então, a gente quer que as pessoas desfrutem desse bolo e que ele realmente seja útil. No caso do livro, que ele seja útil”, relata.

Na esteira do maior reconhecimento literário do Brasil desde 1.958, o Prêmio Jabuti Acadêmico foi criado há três anos para “reconhecer e enaltecer o valor dos livros acadêmicos, científicos, técnicos, profissionais e didáticos nacionais que moldam e impulsionam o avanço do conhecimento, descreve o portal oficial.

 

Por Fabiane Dorta

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