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Brasil acelera rastreabilidade de bovinos para atender exigências da União Europeia sobre antimicrobianos

Publicada em: 01/07/2026 15:00 -

Nova etapa da estratégia do Ministério da Agricultura entra em vigor nesta quarta-feira (1º), com prazo final em 3 de setembro para adequação às restrições sobre antimicrobianos

 

O Ministério da Agricultura e Pecuária inicia nesta quarta-feira (1º) uma nova etapa da estratégia para adequar a pecuária brasileira às exigências da União Europeia sobre uso de antimicrobianos na produção animal. A regulamentação europeia, que restringe a importação de carnes de países que utilizam determinados antimicrobianos, passa a valer em setembro, com prazo final em 3 de setembro de 2026 para que os países exportadores se ajustem.

 

A pressão sobre o setor começou em 2019, quando a União Europeia anunciou a intenção de restringir o uso de antimicrobianos na produção animal. A formalização da regulamentação veio em 2023, mas as tentativas brasileiras de negociar um período de transição esbarraram na recusa europeia.

Propostas brasileiras rejeitadas pela UE

A União Europeia rejeitou tanto os pedidos brasileiros de um período de transição quanto alternativas para facilitar a adaptação do setor. Entre as propostas recusadas estava a sugestão de restringir o uso de antimicrobianos apenas na fase final da engorda dos animais, o que permitiria maior flexibilidade ao longo da cadeia produtiva.

O desafio para a pecuária nacional é amplificado pelo ciclo produtivo dos bovinos, que dura entre dois e três anos no Brasil. Esse período longo, que envolve fazendas de cria, propriedades de recria, confinamentos e fazendas de engorda, torna a adequação às novas regras mais complexa e exige planejamento de longo prazo.

Rastreabilidade como solução definitiva

Michelle Borges, da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, defende que a rastreabilidade é o caminho para garantir o acesso ao mercado europeu e outros mercados exigentes. 'O produtor tem que entender que a rastreabilidade é um caminho sem volta. E ele precisa entender que isso é um benefício para ele', afirmou.

A rastreabilidade permite identificar em qual etapa da cadeia produtiva os antimicrobianos foram utilizados, facilitando a comprovação de que os animais destinados à exportação atendem às exigências europeias. O sistema também beneficia o produtor ao agregar valor à carne e abrir portas em mercados internacionais cada vez mais rigorosos com questões sanitárias e de bem-estar animal.

Com o prazo europeu se aproximando, a nova etapa da estratégia do Mapa busca acelerar a implementação de sistemas de rastreamento que permitam ao Brasil manter sua posição como um dos maiores exportadores mundiais de carne bovina.

 

Ricardo Eugênio

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